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Economia


27/04/2011

Altos custos assustam multinacionais‏

Karla Mendes

 

Brasil perde lugar para outros países na rota de investimentos; carga tributária é um dos entraves


O alto custo da energia elétrica, a invasão de produtos chineses e os incentivos tributários concedidos por outros países estão deixando o Brasil em segundo plano na rota de investimentos de empresas multinacionais. Levantamento feito pelo Grupo Estado junto a fontes do mercado mostra que fábricas de setores eletrointensivos – em que o custo da energia é um dos principais componentes de peso no preço final dos produtos, como alumínio, siderurgia, petroquímico e papel e celulose – estão fechando unidades no País ou rompendo fronteiras e migrando para outros locais por perda de competitividade no mercado brasileiro.

Nesse contexto, enquadram-se pelo menos sete companhias. A mineradora Rio Tinto está em negociações ‘‘avançadas’’ para instalar a maior planta de alumínio do mundo no Paraguai, com investimentos entre US$ 3,5 bilhões e US$ 4 bilhões para produzir 674 mil toneladas de alumínio por ano. A Braskem inaugurará uma unidade de produção de soda cáustica no México e está fazendo prospecção em outros países, como Peru e Estados Unidos. A Stora Enso, que abrirá em breve uma fábrica de celulose no Uruguai, admite que, apesar de a produtividade brasileira ser o dobro, essa vantagem é ‘‘desperdiçada’’ pela incidência de impostos. No caso da produção de papel, o preço do produto de fábrica do Paraná está mais caro que os similares produzidos no exterior.

A usina siderúrgica Gerdau Usiba, na região metropolitana de Salvador, esteve paralisada em função do alto custo da energia. A Valesul Alumínio S.A. (Valesul), em Santa Cruz (RJ), também teria sido fechada pelo mesmo motivo. No setor de alumínio, a situação é a mais crítica. A Novelis fechou uma fábrica em Aratu (BA) e está migrando para o Paraguai. A concorrente Companhia Brasileira de Alumínio (CBA), do grupo Votorantim, está prestes a abrir uma unidade em Trinidad Tobago.

Nesse segmento, a avalanche de produtos chineses é outra ameaça. A importação de alumínio chinês, que até 2009 ficou em um patamar de 17 mil toneladas, saltou para 77 mil toneladas em 2010, número que se repetiu no primeiro trimestre de 2011, segundo Eduardo Spalding, coordenador da Comissão de Energia da Associação Brasileira do Alumínio (Abal). Outra agravante, segundo ele, é que estão sendo importados produtos acabados, sem a possibilidade de agregar valor ao produto no mercado brasileiro.

Spalding lembra que, apesar da geração abundante de energia, a carga tributária do setor, no País, ultrapassa 50%. Como consequência, o custo da energia no Brasil é o dobro da média mundial: cerca de US$ 60 o megawatt/hora (MWh), contra US$ 30, segundo a Commoditties Resarch Union (CRU), consultoria internacional que acompanha preços de matérias-primas para diversos setores, como mineração, siderurgia e energia elétrica. ‘‘Isso nos coloca em uma situação insustentável. ‘‘O custo da energia, descontada a inflação, dobrou em nove anos no Brasil’’, afirma.

 Na produção de papel voltada para revistas e publicações, apesar de não haver incidência de impostos, Otávio Pontes, vice-presidente de Comunicação da Stora Enso, reclama que os tributos incluídos nos insumos, especialmente o ICMS embutido no custo da energia elétrica, torna seu custo maior do que os similares produzidos no exterior. ´ ´ Hoje já há capacidade nacional de produção de papel não utilizada devido ao aumento de importações, o que motivou um pedido de aumento do imposto de importação ao governo pela Bracelpa (Associação Brasileira de Produção de Papel e Celulose) por causa da suspeita de dumping por parte de vários exportadores´ ´ , diz. O processo está em análise pelo Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio (MDIC).

Na ocasião do fechamento da fábrica em Aratu, o presidente da Novelis no Brasil, Alexandre Almeida, disse ao Grupo Estado que o alto custo da energia, que representa 35% do preço final do produto, aliado à valorização do real, desencadearam o fim da unidade, que tinha capacidade para produzir 60 mil toneladas de alumínio primário por ano. ´ ´ Se juntarmos essa situação com a valorização do real, chegamos a um custo de produção muito acima do dos concorrentes´ ´ , disse. Segundo nota divulgada pela empresa, a unidade estava registrando prejuízo operacional desde 2009, com a queda nos preços do alumínio no mercado internacional.

A Stora Enso vai abrir uma fábrica de celulose no Uruguai, onde a empresa sabe que não enfrentará diversos obstáculos encontrados no Brasil, segundo Otávio Pontes, vice-presidente de Comunicação da companhia. Além de energia elétrica por um custo bem mais baixo, o executivo pondera que a empresa não terá outros ´ ´ problemas´ ´ , como a dificuldade de fazer a compensação de impostos ao longo da cadeia.

Procurada, a Gerdau informou que a área de redução direta da Usiba está ´ ´ temporariamente paralisada em razão dos custos de matérias-primas e insumos mais elevados em comparação com a produção de aço via fornos elétricos´ ´ . A CBA informou que o projeto de abrir uma unidade em Trinidad Tobago só não se concretizou ainda em função do desacordo comercial com aquele país. A Vale informou que vendeu os ativos da Valesul em janeiro de 2010 e que não comentaria a questão. Rio Tinto Alcan não se manifestou sobre o assunto.

 

Agência Estado
 

 
 
Fonte: Folha de Londrina – PR, na base de dados da Fenacon 


 
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