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Economia


14/06/2010

Dores da expansão acelerada

Luciano Pires


 
 
Crescer a ritmo chinês em 2010 vai expor um Brasil esburacado, com dificuldades para embarcar quase todo tipo de mercadoria e carente de mão de obra especializada. O ganho impressionante de 9% do Produto Interno Bruto (PIB) registrado no primeiro trimestre do ano repôs as perdas causadas pela crise internacional, mas deverá antecipar ou até mesmo agravar gargalos na infraestrutura básica. O avanço sustentável da economia está atrelado ao tempo, a investimentos bilionários e à elaboração de regras de mercado mais claras.

A construção e a reforma de rodovias têm consumido cada vez mais recursos públicos, mas a demanda sufocou a oferta. O mesmo ocorre com portos e aeroportos, que, apesar de terem sido amplamente beneficiados nos últimos anos por projetos público-privados, na média, ainda estão longe de oferecer condições de competitividade aos setores ligados ao comércio internacional. “As estradas são ruins, as ferrovias melhoraram, mas a malha não é das mais extensas. Em termos de portos, talvez o problema mais grave, ainda há espaço para melhorar mais nos processos de integração”, disse Fábio Abrahão, sócio-fundador do Instituto de Logística e Supply Chain (Ilos Infra), consultoria especializada em estudos e projetos de infraestrutura.
 
A definição de marcos regulatórios é outro requisito que o crescimento acelerado exige. Segundo Abrahão, há uma série de investimentos privados que só sai do papel se outros são realizados pelo poder público. A perspectiva de encerrar 2010 com uma alta do PIB de 6,5% a 8%, conforme preveem analistas e governo, carrega preocupações extras. “Hoje, ainda tem bastante questionamento sobre regras”, resume. O analista do Ilos Infra afirma que é preciso gastar mais, melhor e rápido. “Não dá para resolver o problema em seis meses, mas também não dá para ficar parado”, reforçou. A alta exagerada do PIB também vai expor a fragilidade das contas externas.
 
O crescimento registrado nos primeiros três meses do ano foi o mais robusto desde 1995. Destaque para a indústria e os investimentos, que retornaram aos patamares pré-crise. Construção civil, comércio, agropecuária e serviços comemoraram recordes como há muito não faziam, graças à oferta de crédito e à ampliação do número de vagas no mercado de trabalho. Para Paulo Godoy, presidente da Associação Brasileira da Infraestrutura e Indústrias de Base (Abdib), o bom desempenho deverá ser mantido nos próximos trimestres, apesar do aperto da política monetária promovido pelo Banco Central.
 
A formação de mão de obra qualificada é talvez o drama mais urgente de todos, advertem os especialistas. Antes mesmo de o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) confirmar que o país pisou no acelerador, muitos setores já reclamavam de falta de gente para vagas que exigem conhecimento ou estudo. Alex Agostini, economista-chefe da Austin Rating, lembra que o custo para sanar esse e outros problemas é alto e o retorno é de longo prazo. “O crescimento atual não é um problema ainda, porque ele apenas recompôs a base perdida com a crise. Mas lá na frente, em 2011, a coisa vai ficar séria”, alertou.

Levantamento elaborado Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) no mês passado indicou, por exemplo, que o Brasil precisa injetar R$ 40 bilhões se quiser fazer frente ao aumento da demanda de carga ferroviária estimada para os próximos anos. Sem o aporte financeiro, as exportações poderão ser comprometidas. Outros R$ 60 bilhões seriam necessários para garantir a execução de obras secundárias à manutenção ou ao suporte de ferrovias.


 
 
 
Fonte: Correio Braziliense


 
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