Home Quem somos Eventos Cadastre-se Promoções Anuncie Fale conosco  
 
Pesquisa
Matérias
Serviços
Parceiros










Administro Informa
 
Economia


07/06/2010

O Brasil que compra o mundo

Por Denize Bacoccina, Guilherme Queiroz e Rodolfo Borges

 
O momento não poderia ser mais propício: num cenário internacional turbulento, com estagnação na Europa, nos Estados Unidos e no Japão, a economia brasileira cresce em ritmo acelerado. Resultado: as empresas nacionais, que antes eram alvo de aquisições, hoje são compradoras de bons ativos no Exterior.


Os números estão nos dados do Banco Central: nos primeiros cinco meses deste ano, as multinacionais brasileiras já investiram lá fora US$ 8,3 bilhões. Engoliram concorrentes e fincaram sua bandeira ao redor do mundo, como um Pac Man verde e amarelo. O recorde alcançado em 2006, quando multinacionais brasileiras, puxadas pela Vale, investiram US$ 28,2 bilhões em outros mercados pode até ser batido se o ritmo atual se mantiver. “Só que desta vez o movimento é mais pulverizado e mais saudável”, disse à DINHEIRO o diretor vice-presidente da Sobeet, a Sociedade Brasileira de Estudos de Empresas Transnacionais e da Globalização Econômica, Reynaldo Passanezi.

 

 

01

02

 

03

Um exemplo recente foi o da empresa de motores elétricos Weg, que há poucas semanas adquiriu o controle da concorrente mexicana Voltran. Também de olho no mercado norte-americano, a companhia investiu US$ 31 milhões numa planta de transformadores de grande porte. “Não conseguiríamos competir globalmente sem uma melhor condição de logística.


São equipamentos muito grandes, com alto custo de transporte”, explica Harry Schmelzer Jr., presidente da empresa, que está em processo de expansão também na África do Sul e na Índia.  “As boas oportunidades levaram as empresas a desengavetar os planos que tinham antes da crise”, diz o diretor de internacionalização do BNDES, Leonardo Botelho.


Desde 2005, quando começou a apoiar a expansão das empresas para o Exterior, o banco já investiu R$ 9 bilhões em empréstimos e compra de participação acionária de empresas com ambições de se tornarem multinacionais. Deste montante, 70% foram investidos na aquisição de empresas estrangeiras, 20% em novos projetos, principalmente fábricas e centros de distribuição e outros 10% na expansão de atividades já existentes.


O apetite global das empresas brasileiras já é notado até no bilionário mercado de petróleo e gás. O grupo Ultra, maior distribuidor de GLP do País, está na disputa pela aquisição das operações da anglo-holandesa Shell na Europa, uma operação avaliada em E 1 bilhão. Das operações já realizadas este ano, a maior foi a compra de 32% da cimenteira portuguesa Cimpor, com presença em 13 países, pela Camargo Corrêa, por E 1,5 bilhão. Outra fatia, por E 1 bilhão, foi adquirida pela Votorantim. Também tiveram destaque neste ano a compra da participação na Bolsa de Chicago pela BM&FBovespa, por US$ 620 milhões, e a aquisição do controle acionário do Banco da Patagônia pelo Banco do Brasil, por US$ 479,6 milhões.


Os investimentos externos brasileiros estão aproveitando oportunidades tanto em mercados já desbravados pela indústria brasileira – como o Mercosul – como no chamado mundo industrializado. A Embraer, o maior exportador industrial brasileiro, resolveu nos últimos anos produzir também fora do País.


Além de uma fábrica na China, no momento constrói unidades em Portugal e nos Estados Unidos. A fábrica portuguesa vai produzir partes que serão montadas na matriz de São José dos Campos (SP). Nos EUA, uma linha de montagem fará os jatos Phenom 100 e 300, categoria de aviões executivos de pequeno porte.


O objetivo de companhias que seguem esse caminho é estar perto dos clientes. “Quando se é líder, conquistar cada ponto a mais de participação tem um custo muito alto. Então é preciso ampliar os horizontes”, disse à DINHEIRO Evaldo Dreher, presidente da Tigre, a maior em tubos e conexões. Nos últimos oito anos, a empresa investiu US$ 200 milhões na internacionalização da marca. De suas 18 fábricas, dez estão no Exterior, o que a torna uma das mais internacionalizadas do País.


Esse jogo, no entanto, não exclui empresas de médio porte. De olho no mercado de um país que registra um nascimento por segundo, a Fanem decidiu construir uma fábrica de produtos neonatais na Índia. A empresa já fornece para 92 países e, até o fim deste ano, o escritório montado pela Fanem na Índia começa a funcionar como montadora, com investimento de US$ 5 milhões. “Já que os chineses estão entrando no Brasil, vamos entrar nos mercados deles também”, diz Marlene Schmidt Rodrigues, diretora-executiva da Fanem.


O mesmo movimento foi feito pela líder no mercado latino-americano de refrigeradores, a Metalfrio. Desde 2006, a empresa já instalou fábricas no México, na Rússia e na Turquia. “O modelo de exportação não basta. Precisamos de rapidez. Além disso, a presença no Exterior favorece o entendimento dos mercados”, diz o presidente da Metalfrio, Luiz Eduardo Moreira Caio.


Essa tendência de internacionalização, segundo ele, também é favorecida pela política do real forte. Ou seja: em vez de apenas reclamar da falta de competitividade das exportações, muitos empresários brasileiros estão abrindo a carteira e conquistando o mundo de forma mais direta, com operações industriais próprias.
 

Fonte: Istoé Dinheiro, edição 661


 
Versão para impressão Enviar para um amigo

« voltar
Assinantes
Usuário
Senha
 






 
 
Política de Privacidade   |   Termos de uso
Copyright © 2009 - Administro - O Portal do Administrador de Sucesso. Todos os direitos reservados.
Proibida a reprodução, publicação, distribuição, cópia, ou qualquer outra forma de utilização do conteúdo sem autorização por escrito dos editores.