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Economia


18/03/2010

Trabalhadores em TI de São Paulo conseguem jornada de 40 horas

  
O Sindicato dos Trabalhadores em Processamento de Dados e Tecnologia da Informação do Estado de São Paulo, conquistou, na semana passada, o que as centrais sindicais estão ansiosas por obter no Congresso.
 
Depois de oito reuniões com os empresários do setor, o sindicato alcançou o compromisso de reduzir a carga semanal de trabalho de 44 para 40 horas, a começar em janeiro de 2011. Além de reduzir a jornada, os empresários concordaram em aumentar os salários da categoria.
 
Os trabalhadores do setor se dividem em categorias que variam de programadores de software até prestadores de serviços às empresas que adquirem sistemas embarcados, passando por digitadores e técnicos de help desk.
 
O acordo fechado pelo sindicato foi de reajuste de 6%, sendo 1,9% de aumento real - inflação, medida pelo INPC, de 4,1% em 2009. Para os pisos, os aumentos podem chegar a 12,5%. Assim, o piso de digitador alcança, neste ano, R$ 820, e o de técnico R$ 910.
 
"Acho que o patronato entendeu que o setor passou praticamente blindado pela crise, em 2009, e tem tudo para continuar crescendo forte", diz Antônio Neto, presidente do sindicato.
 
Segundo Neto, os sistemas de software e tecnologia da informação (TI) ajudaram as empresas, de diferentes setores, a enxugar gastos no momento de condições adversas, entre o fim de 2008 e o início do ano passado.
 
Além disso, avalia Neto, trata-se de um setor onde a carga horária é mais flexível que em categorias industriais. "Funções como help desk já tinham carga inferior a 44 horas semanais", diz.
 
O Valor ouviu três empresas do setor e os empresários apresentaram visões semelhantes acerca do impacto da redução da jornada. "O que fizemos foi oficializar algo que já estava sendo feito, para muitas funções, e que em mais ou menos tempo teria de acontecer", avalia Osmar Higashi, sócio-diretor RSI Informática, que emprega cerca de mil funcionários.
 
"O trabalhador de TI não é um operário, que gera resultados lineares ao longo do dia. Ele trabalha com criação, então pode resolver em pouco tempo, depende de sua qualificação", avalia Higashi. O salário médio do executor de testes oscila em torno de R$ 3 mil. Ao todo, a folha de pagamento representa mais de 70% dos custos da RSI.
 
Os 2 mil funcionários da BRQ, segundo Antônio Edvaldo Rodrigues, vice-presidente da empresa, já operavam em regimes inferiores a 44 horas semanais.
 
Dos cerca de 70 mil trabalhadores da categoria em São Paulo, o sindicato avalia que por volta de 30 mil são sindicalizados. O perfil do trabalhador filiado ao sindicato, diz Neto, é "mais introspectivo que o operário tradicional, de fábrica".
 
O sindicato aposta em tecnologias interativas para aprimorar o diálogo com seus filiados. "Gravamos todas as negociações e depois disponibilizamos no nosso endereço na internet", diz. Para Marcos Peano, presidente da BRKO, que emprega 450 trabalhadores, a negociação de 2010 demonstrou que o sindicato "agora é representativo".
 
"Até bem pouco tempo atrás, praticamente não existia sindicato para o setor. Foram negociações tensas, mas é o que se espera de mediações entre duas partes interessadas", avalia.
 
Segundo José Silvestre Prado de Oliveira, supervisor do Departamento Intersindical de Estatísticas e Estudos Socioeconômicos (Dieese), a redução da jornada de trabalho "ainda é uma luta", uma vez que os "poucos acordos foram conquistados com empresas, e não por categoria".
 
Para Neto, que também é presidente da Central Geral dos Trabalhadores do Brasil (CGTB) - central que obteve R$ 4,5 milhões no ano passado oriundos da repartição do imposto sindical - a conquista do sindicato "reforça a luta das centrais no plano federal".
 
As centrais sindicais elegeram a luta pela redução da carga de trabalho semanal de 44 para 40 horas, como a principal bandeira de 2009. Não conseguiram emplacar, pois, segundo analisam, os sindicatos deram prioridade a negociações por manutenção do emprego e reajustes elevados de salário, em ano de crise econômica.
 
A pauta ficou para 2010. Todas as ações políticas e sindicais das centrais e seus sindicatos, desde inauguração de sedes até a promoção de seminários, são permeados por mensagens em prol da redução da jornada.
 
No Congresso Nacional, o presidente da Câmara, Michel Temer (PMDB), sinaliza que os deputados podem votar emenda intermediária, que reduz a carga para 42 horas semanais até 2012. As seis centrais - CUT, Força Sindical, UGT, NCST, CTB e CGTB - esperam realizar audiência com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva até o fim deste mês para tratar do assunto.
 

Fonte: Valor Econômico, por João Villaverde, 16.03.2010


 
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