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Empreendedorismo




Quando o hobby vira uma nova carreira

Insatisfação com a carreira e decepção com os ganhos. Essa mistura vem contribuindo para o aumento da quantidade de pessoas que sonham em ter seu próprio negócio. Segundo dados do Sebrae - CE, o número de empresas optantes do Simples no Estado - empreendedores individuais, micros e pequenas empresas - cresce cerca de 10% ao ano no País e 7% no Estado, desde 2009, data do último levantamento oficial, quando eram registradas pouco mais de 125 mil empresas desse tipo somente no Ceará.

Contudo, entre os que sonham em sair da condição de empregado para empregador, ainda são muitos os desnorteados, que buscam de todo jeito "um negócio que tenha futuro". É preciso ter cuidado. Quem imagina sossego e ainda lucro a curto prazo pode se decepcionar. A articuladora da Unidade de Atendimento Integrado do Sebrae - CE, Maria Alice Mesquita Carneiro, explica que partir só do desejo de "libertação" é uma armadilha.

Afinidade

O ideal é tentar unir oportunidade com afinidade. "É necessário parar e verificar tanto o mercado, quanto os talentos e aptidões. Não é fácil", alerta.

Nesse contexto, os empreendedores que costumam ter mais sucesso são os que transformam atividades que já mantêm ao longo da vida em negócios. Os hobbies revelam, na verdade, interesses e motivações profissionais bastante enraizados. Mas quem pensa que só o amor e um certo talento ´para a coisa´ é combustível para o sucesso, está enganado. Alice lembra que é preciso dedicação, disciplina e, principalmente, transformação na forma de se relacionar com o seu hobby.

Dedicação

O tempo que se dedica às atividades e a forma como se realizam profissionalmente podem sofrer algumas alterações e é preciso ter cuidado para que um sonho não acabe em frustração.

Simplificando, a dedicação com o hobby deve ultrapassar "as horas vagas". Prazos deverão ser cumpridos e aspectos técnicos devem ser dominados.

Querer e gostar

"Uma das coisas quando nós vamos orientar um futuro empresário é que, para que o negócio dê certo, ele tem que querer e gostar do que ele vai fazer, o que já ajuda aos mais perdidos. Isso já é um bom caminho, mas não é o suficiente. Até por que pode ser um risco", alerta Alice.

Entre os maiores erros, está o de gostar tanto do que faz que não se consegue valorar o próprio trabalho. "Os apaixonados por suas atividades, ou superestimam esse valor ou, muitas vezes, nem conseguem cobrar por isso. Ficam envergonhados mesmo", explica.

Profissionalização

Entender o hobby como fonte de renda é fundamental. Para tanto, é preciso profissionalização. (...) "Com uma preparação, as chances de a empresa ir para frente são enormes. Aliás, essa é a maior garantia", afirma a articuladora do Sebrae. Hoje, a taxa de sobrevivência das micro e pequenas empresas no Brasil chega a 70%, ou seja, de todas as que abrem, mais da metade continuam firmes do mercado.

Alice acredita que pouco a pouco os empreendedores estão entendendo que abrir o próprio negócio é trabalhar ainda mais. "O empregado trabalha oito horas. O empresário, 24 horas por dia", compara.

De engenheiro mecânico a chef

Há quem ache que largar uma carreira de engenheiro, bem colocado no mercado, para se lançar no próprio negócio é uma loucura. Pois foi o que fez o agora empresário Élcio Nagano. Ele, engenheiro mecânico, que assumia a função de gerente numa fábrica de autopeças em São Paulo, trocou de profissão e de cidade para "se realizar".

Filho de japoneses, diz que desde criança foi acostumado a cozinhar e aos poucos tomou gosto pela atividade. A inspiração para os pratos que fazia era, obviamente, nipônica.

Anos à fio mantendo o hobby, quando se casou com uma nutricionista, já empresária do segmento alimentício, resolveu que era hora de mudar. "Minha esposa me incentivava. Ela falava que via em casa minha paixão pela gastronomia", detalha.

Mudança

Depois de passar férias em Fortaleza, decidiu pela mudança de ares e de profissão. Os dois passaram dois anos montando pratos sob encomenda para eventos, até que investiram na abertura de um restaurante de culinária japonesa, área que Élcio domina bem: o Kingio.

A empreitada exigiu mais que talento para a gastronomia. Nagano explica que fez cursos e, principalmente, foi buscar entender de gestão empresarial. A experiência bem sucedida lhe rendeu outros empreendimentos: o também restaurante japonês Kina e o self-service La Boqueria, ambos no Shopping Del Paseo. Hoje, o Kingio não existe mais. O empresário deu um salto maior. Abriu o Soho, restaurante de alta gastronomia. Salto também foi visto nos números das empresas.

À época do primeiro restaurante, apenas 20 pessoas integravam o quadro de funcionários. Hoje, Soho, Kina e La boqueira somam juntos 90 empregos diretos e, segundo Nagano, incontáveis indiretos, contando com prestadores de serviço e fornecedores.

O crescimento no faturamento também é enorme: 400% desde o primeiro negócio. Para Élcio, o segredo não está somente na paixão pelo que se faz, mas em como você cuida e encara essa paixão. "É preciso investir todos os dias, seja em cursos de gestão ou em pesquisa de insumos, enfim, é fundamental a capacitação", ressalta. Ele também lembra da disposição para o trabalho. "Não tem descanso. Trabalho entre 12 e 15 horas. Tem que colocar a mão na massa", resume.

Ao final, ele afirma que o resultado é compensador: "Ter sucesso fazendo o que gosta é mesmo um sonho".

Atividade infantil passa a render lucro

De hobby de criança à atividade lucrativa. Foi assim que, depois de ouvir elogios por toda parte, Nabirra Acário, resolveu comercializar seus brigadeiros. O doce sempre foi seu o preferido, mas como aprendeu a cozinhar cedo, as habilidades lhe permitiram pesquisar novos ingredientes e sofisticar as criações.

O público, que antes era basicamente de amigos, foi crescendo. "Depois que fui mãe, fazia muito para as festas dos meus filhos e de amiguinhos. Não dava pra imaginar que seria possível ganhar dinheiro com isso", explica Nabirra, que é também arquiteta. A rotina é conciliada de forma que de segundas-feiras às quintas ela se debruça sobre os projetos de arquitetura. E desse dia até os sábados, ela vira doceira. E assim leva as duas carreiras há quase um ano. "Relutei no começo, porque achava que ia atrapalhar totalmente as atividades no escritório. Mas acabou dando certo e decidi entrar de cara", explica.

Formalização

Um dos entraves foi começar a cobrar pelos brigadeiros à quem estava acostumada a presentear com os doces. Foi a partir disso que resolveu formalizar-se. O primeiro passo foi o cadastro como empreendedora individual pelo Sebrae, que lhe permitiu lançar notas fiscais da empresa e a comprar ingredientes em larga escala com mais facilidade. Desde então, ela comercializa cerca de 2.500 brigadeiros por mês. Por enquanto faz tudo sozinha, mas a expectativa é que até o fim do ano, o negócio cresça 70% em faturamento e ela consiga realizar as duas primeiras contratações.

 

ANA CAROLINA QUINTELA
REPÓRTER
 
Fonte: Diário do Nordeste


 
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