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Empreendedorismo




Eles deixaram suas carreiras para empreender

Naiana Oscar

 

O farmacêutico Ricardo Nantes ganhava R$ 4 mil para trabalhar meio período como funcionário público. Daniel Wjuninski, administrador, teve a oportunidade de fazer carreira na Johnson & Johnson. Na Globo, maior emissora de TV do País, Alexandre Pi havia acabado de saber que seu salário ia aumentar. Ernesto Villela, formado pela FGV, avaliava uma lista de multinacionais onde poderia iniciar a carreira profissional. E, por fim, o publicitário Clair Bizzo estava desempregado.
 
Foi nesse momento, em períodos e cidades diferentes, que a história de empreendedorismo desses cinco brasileiros começou a se desenhar. Exceto para Bizzo, que precisava encontrar um emprego na época, todos os outros estavam "confortáveis" em suas áreas de atuação antes de montar o próprio negócio. Mas preferiram arriscar.

 

Hoje, cada um deles comanda uma empresa de médio porte com faturamento anual superior a R$ 10 milhões e são finalistas, pela primeira vez, do prêmio Ernst & Young Terco de empreendedorismo. "Em comum essas empresas têm uma capacidade enorme de fazer inovações e de crescer sustentavelmente", diz Mauro Terepins, vice-presidente de mercados da consultoria internacional.

 

Ricardo Nantes deixou o funcionalismo público para criar o Portal Educação, um site que oferece cursos à distância. Ele começou com uma página na internet que agregava conteúdo de interesse de farmacêuticos e acabou evoluindo para o e-learning. "Muita gente me achou um louco: passei quatro anos esperando a empresa dar lucro", diz o empresário. Agora, com 140 funcionários e 715 cursos (entre livres e de pós graduação), o portal faturou no ano passado R$ 11 milhões, com 230 mil matrículas, e já está no azul.

 

Daniel Wjuninski também viu na internet a oportunidade de ser seu próprio chefe. Deixou uma multinacional para ganhar experiência na web e, enfim, montar o seu negócio. "Estava vendo a internet acontecer e ao mesmo tempo enfrentava uma briga contra a balança", lembra.

 

O que uma coisa tem a ver com a outra? Daniel criou um programa online de emagrecimento, com orientação nutricional, e vende o produto no website Minha Vida. "Nossa meta é fazer com que nossos clientes percam 100 toneladas em 2011." O portal faturou R$ 10 milhões no ano passado e pretende dobrar esse valor até dezembro.

 

Inovação. Nesse grupo de empresários, Alexandre Pi é o que está empreendendo há mais tempo. Fundou o primeiro dos três negócios próprios em 1984. A APPI, sua atual empresa, foi criada dez anos depois e já passou por duas grandes reestruturações, para atingir novos públicos e se adequar ao mercado de tecnologia de informação.

 

"Fomos tão visionários que,na época, ninguém acreditou no produto que tínhamos para oferecer." A APPI oferece soluções para o setor de meios de pagamentos, como Cielo e Mastercard - ambas clientes da empresa, que faturou no ano passado R$ 12 milhões.
 
A Enox, de Ernesto Villela, surgiu numa mesa de bar, de um bate-papo entre amigos de infância. Eles desenvolvem ações publicitárias em ambientes fechados, com grande fluxo de pessoas. Com mais de 20 escritórios pelo País, a empresa faturou no ano passado R$ 20 milhões. "Meu perfil é de sola de sapato, saliva e massa cinzenta. Aproveitei esses ativos para investir num negócio próprio." No fim do ano passado, a Enox agregou clientes como Petrobrás e Pão de Açúcar ao portfólio.
 
Entre os empresários, selecionados pela Ernst & Young, só a Pietra, fabricante de pisos e revestimentos, começou por necessidade. O publicitário Clair Bizzo estava desempregado e passou a importar porcelanato com um amigo para ganhar dinheiro. Ele quase quebrou com a valorização do real em 2004, e viu ali uma oportunidade de entrar no varejo, já que seus produtos estavam encalhando no estoque. Das lojas para a fabricação própria, foi um pulo. "Hoje, temos mais de mil itens na nossa linha de produtos e estamos em mais de 70 pontos de venda no País." A empresa faturou R$ 25 milhões no ano passado, produzindo revestimentos exclusivos em madeira e cimento.

 

"Todas esses exemplos mostram empresários que estão atrás de realização e não de dinheiro", diz Marcelo Simões, gerente da área de serviços a empreendedores da Instituto Endeavor, de apoio aos chamados "empreendedores de impacto". O Instituto também participou da seleção dos cases feita pela Ernst & Young. "Começar acreditando numa causa, como esses empresários fizeram, é um primeiro passo para fazer o negócio dar certo", diz Simões.


Edição: Rita de Cássia Gonçalves

Fonte: O Estado de S.Paulo


 
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